quarta-feira, 16 de maio de 2012

Carros movidos a ideias


COMBUSTÍVEIS ALTERNATIVOS
Inventos criativos: carros movidos a água, chocolate, lixo, luz solar, papel. Mas por que a indústria não apostou?
Quem foi criança nos anos 80 vai lembrar do Aquamóvel. Era um carrinho de brinquedo movido a água. A propaganda era genial: "Pela primeira vez seu filho vai ter um carro mais avançado que o seu:o Aquamóvel da Estrela. Aquamóvel: o carro que você vai pedir emprestado a seu filho". A solução era simples: além das pilhas, era preciso abastecer o carro com água para ele correr. Quando a água acabava ele parava.

Infância à parte, os carros de gente grande sempre são alvos da genialidade dos inventores. Apesar da gasolina, etanol, gás natural e eletricidade terem sido os escolhidos como combustível, outras ideias foram criadas, mas não vingaram.

A água também foi combustível testado por um inventor japonês para fazer um veículo funcionar. Nome: H2o Power. A empresa japonesa Genepax apresentou em junho de 2008 um protótipo de um carro movido a água.

O líquido é colocado no tanque e um gerador transforma o hidrogênio que retira da água em energia. Segundo a empresa, com um litro de água, o veículo consegue andar a 80 km/h por uma hora. A Genepax tentou firmar um acordo com alguma montadora japonesa para começar a fabricar o carro. Até agora não teve sucesso...

Um grupo de engenheiros da Califórnia (EUA) se inspirou numa tecnologia que já era usada na Segunda Guerra Mundial para criar um carro movido a lixo, em março de 2009. Com uma série de componentes eletrônicos e computadores, eles fizeram o que pode ser considerado com o automóvel do futuro.

O nome da tecnologia é gaseificação. Um forno colocado na mala do carro queima o lixo e extrai dele o máximo possível de vapor. O gás percorre os tubos e quando chega ao carburador tem o mesmo efeito da gasolina ou de qualquer outro combustível.

Com a ajuda de um maçarico, o gaseificado é acesso e o combustível, que na verdade é lixo, é colocado. Depois de algumas tentativas, o carro ganha movimento. Além de aproveitar o que aparentemente não servia para nada, o carro movido a lixo ajuda a combater o efeito estufa. O que sobra depois da queima do combustível é carbono em estado sólido. De acordo com pesquisas científicas, um ótimo fertilizante.

"Esse carvão, chamado de terra preta, é muito rico em nutrientes", explica Tom Price, um dos coordenadores do projeto. "Continuamos obtendo energia, mas ela é limpa e renovável, ajudando a melhorar as condições climáticas", completou. Apesar de ainda ser um experimento complicado, os inventores prometem que em breve vai ser tudo muito mais compacto e fácil de usar.

Movido a papel
Todos os dias, em todo o mundo, milhões de toneladas de impressos são jogados fora. Muitas pessoas buscam formas de reaproveitar esse material, entre eles, alguns cientistas dos Estados Unidos, que pretendem transformá-lo em um biocombustível, o butanol, que pode até ser um substituto para a gasolina.

A descoberta aconteceu quando eles encontraram, em fezes de animais, uma cepa bacteriana chamada TU-103, que pode usar a celulose para fazer o biocombustível. Os desenvolvedores dizem que "apenas nos Estados Unidos, pelo menos 323 milhões de toneladas de materiais de celulose, que podem ser usados para produzir butanol, são jogadas fora".

Além de poder substituir a gasolina, o butanol ainda é melhor que o etanol, porque serve para qualquer carro, sem precisar fazer nenhuma modificação. Também é menos corrosivo e tem mais energia que o etanol, o que pode aumentar a milhagem. É importante ver como a tecnologia tem buscado usar materiais que seriam esquecidos no lixão, poluindo a natureza, em vez de prejudicar mais ainda o meio ambiente durante as produções.

Gosta de chocolate? E se ao invés de comer uma barra tiver de colocar no tanque do seu carro? Faria o sacrifício? No final de 2007, uma empresa britância especializada em biocombustíveis, a Ecotec, anunciou a primeira expedição do Biotruck, carro movido a restos de chocolate que reduz a emissão de gases do efeito estufa e causa pouco impacto no meio ambiente.

O veículo saiu de Preston, na Grã-Bretanha, em direção à Tombouctou, no Mali, passando pelo deserto do Saara. No total, foram 6 mil km de viagem. De acordo com uma estimativa da empresa CarbonAided, responsável pela análise do impacto ambiental da viagem, a expedição evitou o lançamento à atmosfera de aproximadamente cinco toneladas de gases com carbono e usar 1.500 l do biocombustível. A empresa vendia a mistura de chocolate em sua sede em Preston por cerca de 91 centavos de libra (R$ 3,60) por litro. No Brasil o litro de gasolina, em média, tem esse preço, o que só por esse motivo, não seria vantagem.

Opinião
Especialistas em engenharia automotiva acreditam que a indústria não tenha apostado nessas ideias porque o investimento em bilhões de dólares em pesquisas, mudanças na linha de montagem e na criação de nova infraestrutura de abastecimento inviabilizariam os projetos. Além disso, convencer as pessoas que o desempenho dos carros seria bom demandaria outros bilhões de dólares em marketing.

A escolha da indústria pela eletricidade e até os híbridos apontou o caminho e todos em conjunto estão investindo na infraestrutura de abastecimento. Mas a venda desses carros ainda não representa muito globalmente. No Brasil, então, é menos que 1%. Mas que seria bom abastecer com água isso seria...
Tanques Curiosos
Índia - Ar comprimido

Japão - Água

Brasil - Óleo de cozinha e tecnologia do etanol

Itália/Alemanha - Luz solar

Estados Unidos - Lixo, maconha

Inglaterra - Chocolate, café

EUA - Papel

ANDRÉ MARINHOEDITOR

Nenhum comentário:

Postar um comentário