quinta-feira, 28 de março de 2013

Confrontando a limitação física


JIU-JÍTSU
A dor está no dia a dia de atletas de alto nível, mas alguns lutadores da Academia Mundo da Luta / Gracie Barra vão bem mais além
Um lutador de jiu-jítsu limitado por uma prótese não é uma figura comum num tatame. Mas na Academia Mundo da Luta encontramos, na 3ª feira passada (26), um atleta nem um pouco preocupado com sua deficiência, mas supereficiente na luta no solo.

O americano Scott Jonhson, mesmo utilizando uma prótese, encara qualquer lutador no solo com sua técnica apurada de jiu-jítsu FOTO: WALESKA SANTIAGO
"Mais do que superar limites, meu foco quando era mais jovem era a prática de esportes radicais, hoje estou mais preocupado por ficar de fora de competições pela falta de adversários na minha categoria", explicou num razoável português o norte-americano Scott Johnson, 44 anos, que há seis luta jiu-jítsu.

Natural da cidade de São Francisco, na Califórnia, Scott está em Fortaleza desde 2007, mas reside no Cumbuco, onde também pratica o kitesurf. Ele conta que aos 3 anos de idade sofreu um acidente numa escada rolante. "Eu caí com a escada em movimento e a minha perna direita ficou presa na engrenagem".

Como resultado dessa tragédia, Scott, teve o pé direito esmagado, "mas o médico decidiu amputar parte da perna, para facilitar a utilização da prótese".

Nível de competitividade
No entanto, a limitação da prótese não atrapalha muito a performance de Scott Johnson. O seu treinador de jiu-jítsu, professor Pirillo Roriz, ressaltou que "o jiu-jítsu é uma arte marcial onde se usa a técnica para dominar o adversário. E no caso de Scott, apesar da limitação na luta em pé, no solo, ele é capaz de encarar qualquer rival, pois domina golpes como triângulo (tipo de estrangulamento comum no jiu-jítsu, feito com as pernas e o auxílio do braço do próprio adversário); arm lock (chave de braço), e kimura (chave de ombro)".

E o professor Pirillo reforçou que o problema com Scott é que ele não tem com quem lutar nos campeonatos. "Na última competição, na qual ele se inscreveu, não lutou porque não havia adversários na sua categoria: 40 a 45 anos (sênior II)". Mas nem por isso Scott relaxa nos treinos, segundo o professor da Academia Mundo da Luta, que é uma Escola Oficial Gracie Barra (Av. Mozart Lucena, 1565, no Mega Barra Shopping - Vila Velha".

"Aqui na academia treinamos todo dia e o Scott participa dos trabalhos físicos (alongamento), cerca de 30min; depois 30min trabalhando técnicas de jiu-jítsu; e mais meia hora de luta. Nós temos cinco turmas e cerca de 100 alunos distribuídos nos turnos da manhã, tarde e noite", completou o professor faixa preta - 2º Grau Pirillo Roriz, 32 anos, 1,85m e 82kg.

Aliás, o próprio Pirillo é um treinador e atleta que encara no dia a dia as limitações físicas oriundas de três hérnias de disco. "Pois é. O próprio jiu-jítsu me deixou esses problemas. O desgaste pelos movimentos repetitivos de competir como atleta e ministrar aulas, acrescido de um acidente de moto, no ano passado, que me deixou de herança uma dor lombar na coluna, que se agravou e me obrigou a ficar parado por sete meses. E para voltar fui obrigado a assinar um termo de responsabilidade com o médico que me atendeu à época para ser liberado e poder retornar às aulas na academia", disse Pirillo.

Roriz admitiu que sempre praticou esporte - vôlei, futebol, basquete, surfe e skate -, "mas nunca me adaptei a uma modalidade tão bem como no jiu-jítsu", reconheceu o técnico, um dos pioneiros a ministrar aulas de jiu-jítsu na Barra do Ceará e dono de títulos como campeão cearense; campeão N/NE; interestadual; campeão brasileiro em 2011; campeão da Copa Carlson Gracie (2011); participou dos mundiais no Rio (2005) e São Paulo (2010), dá aulas no Cuca Barra, já formou 10 faixas preta e tem 12 instrutores dando aulas em Fortaleza.

30 títulos
Também portador de hérnia de disco (duas), Régis de Souza Correia, passou pelo long board, skate, futebol e bicicross até chegar ao jiu-jítsu, esporte que pratica há seis anos e três meses e no qual contabiliza 30 títulos.

Hoje, faixa marrom - 2º Grau, Régis é bicampeão cearense, vice brasileiro, mas se orgulha do bronze obtido no Pan de 2001, em Brasília.

"O jiu-jítsu me deu disciplina, autoconfiança e paz", confessou Régis, que convive com hérnia de disco desde 2006.

MOACIR FÉLIXREPÓRTER
Paixão
"Para suportar as duas hérnias, faço Pilates e fisioterapia para o fortalecimento muscular e encarar as competições"Régis Correia
Lutador de jiu-jítsu 

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