quinta-feira, 20 de junho de 2013

Preso suspeito de liderar quadrilha em sequestro de empresário do RN

José Wilson Trajano de Freitas foi preso em Macapá, no estado do Amapá.
Fábio Porcino foi libertado na sexta (14),na zona rural de Canindé, CE.
Do G1 RN
José Wilson Trajano é remanescente do grupo de Valdetário Carneiro (Foto: (Foto: Divulgação/Polícia Civil do RN))José Wilson Trajano é remanescente do grupo de
Valdetário Carneiro (Foto: (Foto: Polícia Civil do RN)
O suspeito de ser o líder da quadrilha que sequestrou o empresário potiguar Fábio Porcino Rosado Chaves, de 23 anos, foi preso nesta terça-feira (18) na cidade de Macapá, no Amapá. A prisão do cearense José Wilson Trajano de Freitas foi feita pela Polícia Federal do Amapá e confirmada pela delegada Sheila Freitas, titular da Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (Deicor) e que comandou as investigações do caso. Além de José Wilson, outros dois homens foram presos quando a polícia estourou o cativeiro  do empresário potiguar. Outros nove suspeitos estão sendo procurados. Fábio Porcino foi sequestrado na última segunda-feira (10) e passou quatro dias acorrentado até ser libertado, na última sexta-feira (14), em uma cabana de lonas pretas armada na zona rural da cidade de Canindé, no Ceará.

Na coletiva em que detalhou a operação de resgate do empresário, a delegada Sheila Freitas informou que José Wilson Trajano é remanescente do bando de Valdetário Benevides, líder da quadrilha dos Carneiro, morto em dezembro de 2003 durante confronto com a polícia na cidade de Lucrécia, na região Oeste potiguar. A quadrilha de Valdetário ganhou notoriedade pelos inúmeros assaltos a bancos realizados em vários estados do Nordeste.
Ainda de acordo com a delegada, Trajano foi preso em setembro de 2006, no estado do Ceará, apontado como membro de uma quadrilha que sequestrou o empresário gaúcho Dagoberto Antônio Faedo, que permaneceu 57 dias em cativeiro. "Trajano também já respondeu por homicídio e tentativa de assassinato no município de Tabuleiro do Norte (CE), ocorrido no dia 3 de junho de 1998", acrescentou. Sheila afirmou também que o cearense foi solto em abril deste ano. "Ele estava preso no Instituto Penal Paulo Sarasate, em Fortaleza. Ele foi beneficiado com a progressão de regime e estava no semiaberto", complementou.

Além de José Wilson, o suspeito Ezequiel Serafim Leitão também é apontado como um dos mentores do crime. A delegada revelou que ele é sobrinho do dono da fazenda Garrote, propriedade rural onde os criminosos armaram o cativeiro. Foi lá que a polícia prendeu um dos suspeitos, um homem que estava de guarda, vigiando o empresário. “Durante os quatro dias que ficou em poder dos sequestradores, Fábio Porcino foi impedido de tomar banho. E por mais incrível que pareça, este vigia também não”, disse ela.

O outro homem detido no dia em que a polícia estourou o cativeiro foi preso pouco antes, na cidade de Canindé. “Eu não posso dizer como nós chegamos a este homem, mas posso dizer que ele é motorista de uma empresa terceirizada que presta serviço para a prefeitura da cidade. Foi ele quem entregou o restante do bando e foi ele quem nos levou ao local do cativeiro”, afirmou Sheila Freitas.  O suspeito, ainda segundo a delegada, é sobrinho de Ezequiel Leitão, dono da fazenda onde os criminosos armaram o cativeiro.

Os demais oito procurados são os que chegaram à concessionária de veículos se passando por policiais federais e que levaram Fábio Porcino. A polícia não revelou informações sobre eles.
Carta à família
Ainda durante a coletiva realizada nesta segunda para detalhar o fim do sequestro de Fábio Porcino, a delegada que comanda as investigações revelou que os criminosos pretendiam fazer contato com a família dele por meio de uma carta. Segundo Sheila Freitas, o empresário foi forçado a escrever, de próprio punho, uma carta para os pais. O conteúdo da carta, no entanto, não foi revelado. “Não revelamos valores, mas posso dizer que a carta tinha várias exigências e a quantia pedida pelos sequestradores estava muito além do patrimônio da família”, disse a delegada.

A carta não chegou as mãos da família. “Não sabemos onde a carta está e nem com quem. Soubemos dela porque foi o próprio Fábio quem nos contou que foi obrigado a escrevê-la”, contou a delegada. Sheila acrescentou que a carta tinha data certa para ser entregue à família. “Dia 16. Nós o libertamos no dia 14, por isso a carta não chegou à família dele”, acrescentou.
Fabinho Porcino foi recebido com fogos em Mossoró (Foto: Marcelino Neto)Fabinho Porcino foi recebido com fogos
(Foto: Marcelino Neto)
"É uma amargura muito grande"
No sábado (15), empresário Fábio Alcindo Chaves da Costa, pai de Fábio Porcino, concedeu entrevista à imprensa em Mossoró. "É uma amargura muito grande a gente criar um filho com todo o amor e uma pessoa tirar ele da gente", falou. Ele elogiou o trabalho da polícia potiguar: "A polícia do Rio Grande do Norte é muito competente e está a altura de todo o Brasil. Eu só tenho a agradecer a polícia do RN".
O sequestro
O  empresário Fabinho Porcino  foi sequestrado na tarde do dia 10 de junho em Mossoró, cidade a 285 quilômetros de Natal. Segundo informações da Polícia Militar, Fábio estava em uma das concessionárias de veículos do pai dele quando homens armados e usando coletes semelhantes ao da Polícia Federal o abordaram e o levaram do local.
Na tarde o dia 14 de maio, a polícia estourou o cativeiro onde Fabinho estava, no município de Canindé, no Ceará. O rapaz estava em uma cabana de lona preta montada no meio de um matagal. Dois homens foram presos. Um deles é sobrinho do dono da fazenda Garrote, propriedade onde os sequestradores montaram o cativeiro, e que também é considerado foragido. O outro preso foi detido fazendo a guarda da vítima.
Fabinho Porcino retornou para Mossoró ainda na noite do dia 14 de maio. Ele foi recebido com fogos por familiares e amigos.
Segundo sequestro na família
Fábio Porcino é primo de Porcino Fernandes Segundo, vítima do mais longo sequestro da história do Rio Grande do Norte. Popó, como é conhecido, ficou 37 dias em cativeiro (de 16 de junho a 24 de julho de 2012). O cativeiro de Popó foi descoberto em uma casa na praia de Pitangui, no litoral Norte da capital potiguar. Um confronto entre os sequestradores e polícia deixou dois suspeitos baleados - um deles morreu.

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