sábado, 18 de janeiro de 2014

Quatro agentes podem ser expulsos

DELITOS GRAVES
A Controladoria Geral de Disciplina (CGD) apura crimes de roubo, agressão, extorsão e ligação com mortes
Quatro agentes do sistema da Segurança Pública do Estado estão sendo "alvos" de investigações através da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD).
As denúncias contra os agentes foram recebidas pela Controladoria e transformadas em investigação preliminar, que pode terminar em demissão. FOTO: KIKO SILVA

Os casos chamam a atenção pelo curto período em que ocorreram, menos de duas semanas, e pela gravidade, que vão desde lesão corporal a extorsão, roubo e tentativa de homicídio. Se comprovadas as acusações em apuração, os servidores deverão ser expulsos de suas corporações.

PM assaltando
Um dos casos mais graves ocorreu no começo da semana, quando um policial militar, que estava em Licença para Tratamento de Saúde (LTS), foi preso depois de assaltar e tentar matar um colega de farda.

Trata-se do soldado Adriano Felipe dos Santos, destacado no 7º BPM (Crateús). Na manhã da última segunda-feira, ele acabou sendo preso em flagrante depois de assaltar um colega de farda e superior hierárquico, um sargento da PM. O caso ocorreu na Granja Portugal.

Conforme as informações da própria Polícia Militar, Felipe assaltou o sargento (identidade preservada por razões de segurança) e tentou assassiná-lo. Chegou a acionar o gatilho de sua pistola, mas a arma falhou. Em seguida, o PM fugiu. Mas, logo depois, retornou ao bairro e acabou sendo preso, depois de reconhecido pela vítima do roubo e tentativa de assassinato.

Outro caso que causou repercussão na Imprensa local diz respeito a um episódio ocorrido na delegacia Regional de Canindé (97Km de Fortaleza), onde um policial civil teria agredido uma advogada quando esta tentava a liberação de um automóvel que fora apreendido.

Expulsão

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE) está acompanhando as investigações do caso e requereu oficialmente à CGD o afastamento preventivo e a posterior exclusão dos quadros da Polícia Civil do inspetor João Batista Félix Castro.

Ele está sendo acusado de ter agredido fisicamente a advogada Elizângela dos Santos Silva. A advogada sofreu uma cabeçada no rosto, o que provocou fratura de nariz. A OAB também já encaminhou à Câmara Municipal de Itatira pedido para que João Batista, que é vereador naquele Município, perca o cargo por falta de decoro parlamentar. O vereador negou as acusações. Segundo ele, "tudo não passa de mentiras e na hora da confusão na delegacia teria "sem querer´ atingido o rosto da advogada, o que causou a lesão. Além da investigação preliminar que está sendo realizada pela CHD, a delegada de canindé, Giselle Oliveira Martins instaurou um procedimento criminal que deverá estar concluído em 30 dias.

Mais casos

Outros dois processos investigativos foram instaurados pela CGD nas duas últimas semanas. Um deles aponta um agente penitenciário, identificado como Antônio José Menezes Lucas, como envolvido em crime de porte ilegal de armas e concurso de pessoas, durante uma operação desencadeada por policiais da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Coordenadoria Integrada de Inteligência d (Coin) da Secretaria da Segurança Pública.

Segundo nota da SSPDS, o agente penitenciário foi preso em companhia de um homem que vinha sendo investigado como envolvido numa quadrilha responsável por assassinatos em Maranguape. Trata-se de José Ari Coelho. A dupla foi detida e levada para a DHPP, sendo autuada, em flagrante, pelos crimes de porte e transporte partilhado de armas.

Outro procedimento instaurado pela CGD diz respeito a um soldado da Polícia Militar, preso, em flagrante, na semana passada, acusado de praticar um crime extorsão no Interior do Estado. O policial, que é destacado no 16º BPM (Messejana), está recolhido no Presídio Militar à disposição da Justiça. Quem também permanece no Presídio Militar é o soldado Adriano Felipe dos Santos. Segundo a CGD, "foi determinado, também, o afastamento preventivo do militar de suas funções, em face do clamor público diante da gravidade da conduta praticada, e por constituir a mesma incompatível com a função pública".

Fique por dentro

Controladoria tem a missão de apurar desvios
A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da segurança Pública e do Sistema Penitenciário do Estado do Ceará foi criada pelo governador Cid Gomes através da Emenda Constitucional de número 070/2011, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 23 de fevereiro de 2011. O órgão, o primeiro do País, tem status de secretária de Estado e a sua missão é instaurar e apurar a responsabilidade disciplinar e aplicar as sanções cabíveis aos servidores das polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros Militar, Perícia Forense e do Sistema Penitenciário do Ceará. Trata-se de um órgão de controle externo da atividade de Segurança Pública e Penitenciária, com autonomias financeira e administrativa. Cabe ao governador instituir o Conselho de Disciplina e Correição dos órgãos. A Controladoria Geral de Disciplina veio substituir a antiga Corregedoria Geral dos Órgãos da Segurança Pública, que havia sido criada pelo governo em 16 de maio de 1997.

FERNANDO RIBEIROEDITOR DE POLÍCIA 

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