sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Recém-formados da Marinha reclamam demora na espera por vagas de estágio

EM BELÉM
Redação Web

Mais de 200 aguardam há quase 3 meses, entre eles cearenses

Marinha
Estágio embarcado é requisito obrigatório para que os recém-formados recebam o diploma
AGÊNCIA REUTERS
Há quase 3 meses, os recém-formados pela Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (Efomm) do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), em Belém, entre eles cearenses, aguardam por uma vaga de estágio embarcado. O estágio é requisito obrigatório para que eles possam receber o diploma, que corresponde ao Bacharel em Ciências Náuticas, e exercer a profissão.
No momento, eles ainda não podem ser chamados de oficiais, são praticantes, e também não podem atuar em qualquer outra profissão com carteira assinada por serem reconhecidos pelo sistema militar. Enquanto aguardam a realização do denominado Programa de Estágio (Prest), também não dispõem mais do recebimento da bolsa no valor aproximado de R$ 1 mil, paga durante o curso e também durante a realização do Prest.
Além destes, existem ainda os recém-formados pelos cursos de especialização da Marinha do Brasil, ASON (Adaptação para 2º oficial de Náutica) e ASOM (Adaptação para 2º oficial de Máquinas). No total, são mais de 200 praticantes que aguardam uma vaga para realizar o estágio embarcado.
Segundo informações de uma praticante do Ciaba, que não quis se identificar, o que dificulta ainda mais a resolução do problema da espera por vagas é a abertura frequente de cursos de especialização pela Marinha, o que aumenta a concorrência por vagas.
"Estes cursos  têm curta duração, mas no final os formandos também precisam fazer o estágio embarcado. E como eles terminam o curso mais rápido do que nós, acabam passando na nossa frente na fila de espera. Quem já possui uma graduação pode atuar nessa profissão enquanto aguarda por uma vaga, mas nós que estudamos 3 anos por esta formação não podemos fazer nada além de esperar", desabafou a praticante.
Praticantes encaminharam um ofício com a problemática ao Ministério da Defesa e Marinha do Brasil
Estas e outras reclamações dos recém-formados pelo Ciaba estão inseridas em um documento feito por eles e que foi enviado ao Ministério da Defesa, Marinha do Brasil e outros órgãos. 
O autor do documento é cearense, mora em Fortaleza, estudava em Belém, e também prefere não ser identificado. Ele explica à Redação Web do Diário do Nordeste que "o Ciaba é responsável por realizar convênios com diversas empresas para que hajam vagas de estágio embarcado. Até agora não nos deram previsão de quando serão abertas novas vagas", disse.
O praticante ainda completa dizendo que os próprios formandos ligaram para algumas empresas que ainda não possuem convênio com o Ciaba e estas informaram que nem sequer tinham conhecimento do procedimento, mas que tinham interesse no convênio caso o órgão entrasse em contato.
Em resposta, a assessoria de comunicação do Ciaba informou que o órgão de execução segue as orientações da Diretoria de Portos e Costas (DPC), e que "vem envidando esforços, através de diversas ações, no sentido de conscientizar as empresas a fornecerem uma quantidade maior de vagas".
Entre as ações mencionadas pelo Ciaba, estão a realização de reuniões com os gerentes e diretores de RH das empresas de navegação, em dezembro 2013 e a realização do Prest em navios de bandeira estrangeira, incluindo navios-sonda e plataformas.
Além disso, o órgão mencionou a disponibilização pelas empresas estrangeiras afretadas pela Petrobras de 126 vagas de estágio. Outras 46 vagas estão em negociação com a empresa Vale S.A. e mais 39 com a Transpetro, para o embarque de praticantes em seus navios de bandeira estrangeira.
Por fim, o Ciaba informou que "apesar desse esforço, a Marinha do Brasil não pode obrigar as empresas de navegação a oferecerem um número maior de vagas. E que atualmente há 95 praticantes  da EFOMM – Turmas 2012 e 2013 realizando o Prest".

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