quinta-feira, 20 de março de 2014

EXECUÇÃO

Segundo investigações da Divisão de Homicídios, o principal envolvido é um oficial da PM de Pernambuco

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As vítimas foram executadas com tiros de pistola. Os corpos caíram na calçada de um condomínio na Rua Bento Albuquerque, no bairro Cocó
FOTO: HELOSA ARAÚJO
A sequência de tiros chamou a atenção dos moradores dos condomínios situados na Rua Bento Albuquerque, próximo ao cruzamento com a Rua Batista de Oliveira, no bairro Cocó, na tarde de ontem. Algumas pessoas contaram que se abaixaram com medo de serem atingidas, outras foram para as janelas dos apartamentos, sacaram seus smartphones e tablets e ainda conseguiram registrar o momento em que dois homens eram executados a tiros por três bandidos armados com pistolas. 
A Reportagem acompanhou o andamento das investigações da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e, no fim da noite de ontem, obteve a informação de que o principal envolvido no crime seria um tenente da Polícia Militar de Pernambuco. O carro utilizado pelos matadores também seria de outro PM pernambucano. 
Segundo o diretor da DHPP, delegado Luiz Carlos Dantas, a Polícia ainda não concluiu qual foi a efetiva motivação do crime, mas não descarta nenhuma hipótese, até mesmo uma tentativa de assalto. Buscas estão sendo feitas pela Polícia Civil e Militar para prender o PM e os outros autores do crime.
Conforme o relato das testemunhas, as vítimas seguiam pela Rua Bento Albuquerque em direção à Avenida Engenheiro Santana Júnior, em uma moto Honda, modelo Bros, de cor laranja e placa NUZ-1263. 
No entanto, eles estavam sendo seguidos de perto por quatro homens ocupantes de um veículo Volkswagen, modelo Jetta, placas PEL-5194, de Recife (PE). Uma testemunha contou ter visto toda a ação dos criminosos da janela do residencial onde mora. 
“Vi quando eles (ocupantes do automóvel) emparelharam com os dois homens na moto e atiraram. Quando eles caíram, três desceram e começaram a atirar de novo, enquanto um ficou no volante do carro. Foram muitos tiros”, disse o executivo (identidade preservada). Uma mulher (identidade preservada), que também testemunhou o duplo homicídio da janela do apartamento dela, disse ter visto, ainda, quando um dos executores se aproximou dos corpos dos dois rapazes, conferiu se eles estavam mortos, e em seguida, levou a arma que estava em poder de um dos homens.
Em um vídeo feito por uma das testemunhas, é possível ouvir quando os acusados pelo duplo assassinato descem do veículo e gritam para as vítimas, já baleadas, para colocarem as mãos na cabeça. Em seguida, dizem: “Chamem a Polícia agora, chamem!”. 
Após os tiros, uma ambulância do Serviço Móvel de Urgência (Samu) foi acionada. No entanto, segundo o socorrista Alexandro Moura, não havia mais nada a fazer. “Foram tiros na cabeça, tórax e pernas”, disse. 
Segundo a Polícia, quem portava a arma que foi levada pelos acusados foi identificado como Francisco Antônio do Monte Moraes, 28. Conforme ainda os levantamentos feitos pelos policiais, Francisco Moraes não possui antecedentes criminais, mas seria envolvido com o tráfico de drogas na Favela do Pau Finin, no Papicu. O jovem que estava com Francisco não portava documentos e, até o fechamento desta edição, ainda não havia sido identificado pelas autoridades. 
Os delegados Cleófilo Rodrigues, plantonista da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP); e Socorro Portela, titular do 2º DP (Aldeota) estiveram no local do crime e iniciaram as investigações, juntamente com peritos da Coordenadoria de Criminalística (CC) da Perícia Forense do Ceará (Pefoce). 
De acordo com o perito Pedro Amaro, os corpos apresentavam sete lesões a bala cada um. Amaro informou ter encontrado um projétil de calibre .40 ou .45 no local, mas não achou cápsulas. 

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