segunda-feira, 26 de maio de 2014

Tiroteios deixam 3 mortos e 5 feridos

SÃO CRISTÓVÃO E JOÃO PAULO II

Em um dos casos, dois jovens foram executados e dois baleados, no anfiteatro ao lado do Cuca

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O espaço de lazer, que foi construído para fazer parte do Cuca, tornou-se palco de cenas de violência. Ontem, as marcas de sangue ainda eram visíveis
FOTO: ÉRIKA FONSECA
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Os corpos dos dois jovens, executados com tiros de pistola, ficaram nos degraus do anfiteatro F
OTO: DIVULGAÇÃO
Três pessoas foram mortas e cinco ficaram feridas em tiroteios ocorridos em uma área compreendida em cerca de 500 metros, durante duas ocorrências simultâneas, na noite de sábado, nos conjuntos São Cristóvão e João Paulo II, no Jangurussu, na Área Integrada de Segurança (AIS) 4. O primeiro caso, que vitimou duas pessoas, aconteceu em um anfiteatro, que fica ao lado do Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca) Luiz Gonzaga, conhecido como 'Cuca do Jangurussu'.
De acordo com informações da Polícia, dois homens, que estariam em um automóvel Peugeot, de cor preta, teriam chegado ao local, onde estava acontecendo uma programação especial para aos jovens, preparada pelos administradores do Cuca, e efetuaram vários dispararam contra um adolescente conhecido pelo apelido de 'Cachorro', que estava na arquibancada.
Três pessoas que estavam sentadas próximas a 'Cachorro', foram atingidas. Além do alvo da ação criminosa, que foi lesionado por 19 tiros, Mardônio Ribeiro da Silva, de apenas 15 anos, também morreu, após ser atingido por duas balas perdidas.
Feridos
Uma adolescente de 12 anos, que foi ferida no pescoço, e outro jovem ferido no pé foram encaminhados ao 'Frotinha' de Messejana, onde foram atendidos. A reportagem entrou em contato com a unidade, mas o estado de saúde dos pacientes não foi informado pelos funcionários.
Conforme informações de policiais do Ronda do Quarteirão que atenderam à ocorrência, 'Cachorro' já vinha sendo ameaçado por alguns desafetos por questões ligadas ao tráfico de drogas. Na noite de sábado, ele decidiu ir ao espaço de lazer, onde acabou assassinado.
A área onde o tiroteio aconteceu foi construída para fazer parte da estrutura do Cuca, mas por questões administrativas acabou sendo desmembrada. De acordo com o titular da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude, da Prefeitura de Fortaleza, Élcio Batista, a área não é mantida com os recursos dos Centros Urbanos e hoje é tida como uma praça pública.
"A princípio ele (anfiteatro) fazia parte do Cuca, mas hoje não. Nós administramos os Cucas e temos segurança privada, controlamos o horário de funcionamento até as 22 horas e não permitimos que bebidas alcoólicas sejam vendidas. Na parte onde fica o anfiteatro, não somos os gerenciadores, portanto não temos o controle". Batista disse, ainda, que a situação é preocupante. "Temos buscado dialogar e interferir na letalidade de jovens na região".
Adolescente
Enquanto as patrulhas da PM eram deslocadas até o Cuca para atender à ocorrência do duplo homicídio, vários estampidos foram ouvidos do outro lado do Canal, na Avenida Perimetral, já no Conjunto João Paulo II. Ali, os policiais militares se depararam com outro assassinato.
Na Travessa Espacial, que desemboca na Avenida Perimetral, a cerca de 500 metros do Cuca, estava caído Francisco Theyson Vieira Oliveira, de 15 anos. Segundo a Polícia, uma outra pessoa, que estava no beco, teria sido atingida de raspão, por uma bala perdida. Por enquanto, ainda não se sabe qual queria sido o motivo do crime.
Os suspeitos dos disparos empreenderam fuga pela pista da contra-mão, da Avenida Perimetral, mas encontraram uma patrulha do Ronda do Quarteirão e houve um confronto. Os dois ocupantes da moto foram baleados e a viatura foi avariada.
O condutor da moto, que disse se chamar Alessandro Nascimento afirmou que estava parado no semáforo, quando foi abordado por um homem que montou na garupa de seu veículo e lhe ameaçou com uma arma, dizendo que ele seguisse pela contramão da via.
Alessandro, que foi atingido na perna por um tiro, foi encaminhado ao hospital e depois ao 30ºDP (São Cristóvão). O garupeiro e suspeito de matar o menor, na Travessa Espacial, seria o traficante Francisco Clerton do Carmo, o 'Diabo Louro', que foi resgatado do 30ºDP, em maio de 2011. Na época, a ação terminou com a morte de um detento e com um inspetor e um delegado feridos.
Segundo a Polícia, 'Diabo Louro' conseguiu pular da moto e fugiu, mesmo baleado. Pouco tempo depois, os policiais descobriram que algumas pessoas deram entrada no 'Frotinha' de Messejana, vítimas das ocorrências do São Cristóvão e do João Paulo II. Ao chegar no local, os PMs acharam Francisco Clerton. Com medo de um ataque ao hospital, por conta do criminoso, a direção do 'Frotinha' decidiu suspender o atendimento por uma hora. Ontem, as visitas na unidade foram canceladas, mas o policiamento foi reforçado.
Márcia Feitosa
Repórter

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