domingo, 1 de junho de 2014

Adolescentes fugitivos voltam a agir

EUSÉBIO

Dupla de adolescentes, que fugiu de Centro Educacional, é tida como 'de alta periculosidade' apesar da pouca idade

Image-0-Artigo-1626083-1
Dos 60 jovens que fugiram do Centro Educacional Patativa do Assaré, em Fortaleza, 37 ainda não foram recapturados. Segundo a Polícia, pelo menos dois já foram identificados na reincidência de crimes
Image-1-Artigo-1626083-1
Delegada Ana Lúcia Almeida, da Delegacia Metropolitana do Eusébio (DME), lamenta ter de repetir trabalhos para recapturar dupla de adolescentes
FOTOS: NAVAL SARMENTO
Dois adolescentes, de alta periculosidade, fugitivos do Centro Educacional Patativa do Assaré, em Fortaleza, são suspeitos de um assassinato e quatro assaltos, desde que a rebelião que culminou na fuga deles aconteceu, na madrugada do dia nove de maio. Na ocasião, mais de 60 internos fugiram, e 37 deles ainda não foram recapturados.
Um dos dois adolescentes, inclusive, teria dito, quando estava no centro socioeducativo, que já havia matado 19 pessoas.
No Município do Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), os efeitos da fuga foram especialmente piores. Os dois adolescentes, que voltaram para lá, são recorrentes na prática de delitos graves e já figuraram entre os mais procurados pela Polícia local. Ambos são integrantes da quadrilha chefiada por José Roberto Honório, o 'Roberto Ôião', que possui 20 mandados de prisão em aberto, pelo cometimento de crimes como roubo, latrocínio, homicídios e formação de quadrilha, conforme informações da Polícia.
De acordo com a comandante da Área Integrada de Segurança 9 (AIS 9) e delegada titular da Delegacia Metropolitana do Eusébio (DME), Ana Lúcia Almeida, os dois adolescentes são parceiros de 'Roberto Ôião' na prática de tráfico, homicídios e assaltos. "Os dois são extremamente perigosos. Embora tenham apenas 17 anos, já têm uma vivência muito grande no mundo do crime. Matam com frieza, têm prática em fugas e em se manterem por longos dias escondidos dentro de matagais", declarou.
Ana Lúcia disse ainda, que um dos menores confessa ter matado 19 pessoas. A maioria das execuções aconteceram nos bairros Parque Havaí, Autódromo e Urucunema. "Não é a primeira vez que ele é apreendido. Sempre fazemos um trabalho muito complexo à procura dele e já conseguimos capturá-lo duas vezes. Eu gostaria que essa fuga fosse investigada muito detalhadamente, porque um evento deste acarreta problemas graves para toda a sociedade. No caso do Eusébio, é terror o que eles fazem quando estão soltos", disse.
Somente do dia nove até agora, os dois teriam agido juntos em quatro roubos a mão armada e na morte de um homem. Todos os delitos ocorreram no bairro Urucunema, naquela cidade.
Ana Lúcia Almeida disse que recebeu informações extraoficiais que deram conta que o suspeito dos 19 homicídios teria sido um dos idealizadores da fuga ocorrida no Centro Educacional Patativa do Assaré.
"Vamos começar tudo de novo para tentar encontrá-los novamente. Eu lamento muito que tenha sido fácil para eles fugir, pois são muitas as dificuldades para que eles sejam capturados novamente", frisou Ana Lúcia.
Perigosos
Segundo o juiz Manuel Clístenes de Façanha e Gonçalves, titular da 5ª Vara de Execuções da Infância e Juventude de Fortaleza, não só os adolescentes oriundos do Eusébio representam um perigo grande, mas a totalidade dos que conseguiram escapar.
"Um terço dos meninos que estavam nesta unidade, respondem por homicídios e latrocínios. Eles têm um grau de periculosidade acentuado. São pessoas que respondem por práticas reiteradas de delitos graves. Essas pessoas que escaparam, em geral, podem causar situações de perigo extremo", enfatizou Gonçalves.
O magistrado disse ainda, que os adolescentes mais complicados, em relação à Justiça, foram os que escaparam. "É comum que eles tenham cometido cinco, seis, sete homicídios. Ou que tenham realizado muitos roubos também. O perfil dos foragidos é esse. Os mais perigosos escaparam, porque sabiam que estavam mais complicados, que teriam que cumprir medidas maiores. Os menos perigosos não fugiram porque não quiseram", frisou.
Clístenes disse ainda que a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) já foi oficiada sobre a necessidade de que um efetivo de policiais militares seja enviada para as unidades, mas ainda não deu respostas sobre a demanda.
Márcia Feitosa
Repórter

Nenhum comentário:

Postar um comentário