quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Para cada agente público de segurança, há três privados - Policiais têm mais armas que os vigilantes

Resultado de imagem para vigilantes no brasilBrasil tem aproximadamente 1,7 milhão de vigilantes contra 602 mil policiais civis, militares e federais e bombeiros
Média brasileira é superior à dos Estados Unidos, com 2,5 agentes privados para cada público, e do México, com índice de 2 para 1
Existe no Brasil um "exército" privado de vigilantes, responsável pela segurança principalmente das classes alta e média alta, empresas, locais de entretenimento e do próprio poder público, que é quase o triplo do tamanho do efetivo total de policiais civis, militares e federais, além dos batalhões do Corpo de Bombeiros das 27 unidades da federação.
São aproximadamente 1,7 milhão de vigilantes cadastrados -sendo que somente 455 mil têm carteira assinada-, segundo a Polícia Federal. Por outro lado, o país conta com 602 mil agentes da segurança pública -de acordo com números de 2006 repassados pelos Estados ao Ministério da Justiça (último ano disponível) .
O crescimento da segurança particular é significativo, o que faz o Brasil superar a média de agentes privados versus agentes públicos de países como Estados Unidos (2,5 por 1) e México (2 por 1). Dessa conta, contudo, estão excluídos os cerca de 800 mil vigilantes clandestinos estimados pela PF, órgão responsável por autorizar e fiscalizar as empresas do setor e que responde pelo treinamento dos vigias.
Só em 2008, 139.654 novos cadastros de agentes particulares foram lançados no sistema da instituição. De 2002 até janeiro deste ano, o número de profissionais cresceu 87%.
O cruzamento das informações, feito pela
Folha
, revela também a substancial diferença da expansão entre os serviços público e privado: de 2003 a 2006, o efetivo responsável pela segurança pública aumentou 5%; na iniciativa privada o salto foi de quase 40%.
São Paulo é o Estado que mais utiliza segurança privada -são 464 mil homens cadastrados, contra 121 mil agentes de segurança pública, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública. A média, de 3,8 por 1, é maior que a nacional.
A procura cada vez maior por segurança privada, reflexo, segundo especialistas, do aumento da sensação de insegurança da população, leva ao aumento da oferta de trabalho na área. Oportunidade que fez Márcio Henrique, 42, procurar o setor.
"[eu] Era vendedor, estava desempregado e vi que era um bom negócio", diz o cearense radicado em Brasília há 37 anos, dez deles como vigilante -Márcio trabalha em uma agência do Banco do Brasil.
Para as empresas do setor, que movimentaram R$ 16,7 bilhões no ano passado, o que conta na hora de contratar é a experiência prévia em segurança, o que torna policiais e membros das Forças Armadas potenciais candidatos, segundo o especialista Calil Buainain.
Assim foi com Onésimo Rodrigues, 27. Antes de entrar na Prosegur, uma das maiores do ramo, ele serviu por dois anos no Batalhão da Guarda Presidencial do Exército, em Brasília. "A diferença salarial é grande", conta ele. "O setor público é o que mais utiliza a segurança privada", afirma Adelar Anderle, coordenador-geral de controle da segurança privada da PF.
Apesar do grande número de seguranças privados, o percentual de pessoas que usam o serviço é baixo. Em Belo Horizonte, por exemplo, só 10% da população de 2,4 milhões de habitantes usavam vigilância particular em suas ruas, segundo estudo do Crisp de 2005. Colaborou
FELIPE SELIGMAN
Policiais têm mais armas que os vigilantes
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Enquanto na segurança privada há mais homens do que no setor público, o número de armas registradas em poder das empresas de vigilância e de transportes de valores não chega nem perto ao usado pelas forças de segurança do Estado.
Segundo dados da Polícia Federal obtidos pela
Folha
, são 279.499 armas registradas pelas empresas. Só em poder das polícias militares e dos bombeiros, em todo o país, são 376.148 armas, informa o Exército, responsável pela dotação do armamento e das munições dessas corporações.
Há dois anos, a Polícia Federal implementou política que permitiu a uma empresa comprar armas da outra, o que levou à redução da aquisição de armamento no setor -de 15.743 em 2006, o número caiu para 12.686 no ano passado.
A coordenadoria-geral de controle da segurança privada da PF defende mudanças na regulamentação do setor, principalmente para abarcar as novas tecnologias, como a segurança eletrônica.
O economista Calil Buainain, analista do setor, estima em 20% o crescimento anual da segurança eletrônica - câmeras de vídeo, por exemplo. A tendência das empresas, diz ele, é integrar tecnologias eletrônicas ao trabalho dos vigilantes -o que diminuirá o número de profissionais. Tramita no Congresso, desde 2004, um novo estatuto da segurança privada.

Fonte: Folha de S.Paulo

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