quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Efeito dominó: outro 'figurão' do PCC que estava no CE é preso

Claudiney Souza assumiu a liderança nas PCC nas ruas de Minas Gerais, quando o antigo líder e o matador do grupo foram presos em São Paulo

Aos poucos as coisas vão ficando claras. Investigadores que fazem parte da operação para elucidar as mortes dos dois membros da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue'; e Fabiano Alves de Souza, o 'Paca', parecem tão perplexos quanto à sociedade, com o que têm encontrado nas apurações.
O inquérito segue com efeito dominó, em que a descoberta de uma peça leva, automaticamente, à queda de outra. Não deu tempo de 'Gegê' e 'Paca' se livrarem de comparsas, imóveis, veículos, rastros e de todo o esquema que haviam montado aqui. Agora, mais do que nunca, a Polícia está mais próxima de desvendar os caminhos do crime organizado no Ceará.
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Uma das descobertas recentes mais importantes dos investigadores é que nem só as duas vítimas eram "figurões" do PCC morando no Ceará. Mais um membro do alto escalão da maior facção criminosa do País, morava em Fortaleza: Claudiney Rodrigues de Souza, o 'Cláudio Boy', 36, um dos principais nomes da organização em Minas Gerais, foi preso pela Polícia Federal (PF), na última segunda-feira (19), no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, ainda a bordo do voo que saiu da Capital cearense.
O homem foi algemado e retirado de dentro do avião por agentes federais. O criminoso deixou Fortaleza apenas três dias após o achado dos cadáveres de 'Gegê do Mangue' e de 'Paca'. De acordo com a Polícia Federal de Minas Gerais, Claudiney Souza era foragido da Justiça mineira e integrava a lista de procurados da Interpol. Contra ele, havia sete mandados de prisão em aberto, expedidos por Varas da Comarca de Belo Horizonte, pelos crimes de homicídio e tráfico internacional de drogas.
'Cláudio Boy' estava utilizando documentos falsos para abrir empresas, e se estabelecer como empresário e adquirir bens em Fortaleza, além de realizar inúmeras viagens pelo Brasil e até para o exterior, segundo a PF. O foragido tinha documentos com vários nomes diferentes, para facilitar a vida de 'fachada' que levava no Estado. Nas redes sociais, ostentava uma vida de luxo frequentando barracas de praia e a noite de Fortaleza. Era amigo de empresários da Capital. O traficante circulava no Ceará há, aproximadamente, seis anos.
"A prisão é resultado de minuciosa investigação realizada pela PF, como representação da Interpol no Brasil. A investigação contou com o apoio da Agência de Imigração Americana Immigration and Customs Enforcement (ICE) e da Inteligência da Polícia Civil de Minas Gerais", informou a PF.
A PF acrescentou que a investigação aponta que, mesmo foragido, 'Cláudio Boy' seguia atuando em operações relacionadas ao tráfico internacional de drogas, o que podia estar sendo feito direto do Ceará, conhecido como um ponto estratégico para o tráfico.
'Missão'
Uma fonte da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que atua nas investigações, disse que o criminoso pode ter recebido a 'missão' de agenciar a morte de 'Gegê' e 'Paca'. "O PCC é realmente muito organizado e tem uma hierarquia definida, mas o líder máximo não se ocuparia de planejar execuções. Ele reúne a sintonia geral final, que é um espécie de conselho que toma decisões, e resolve o que vai ser feito. Depois disso, delega a 'missão' a alguém. Nesse caso, pode ser que o 'Claudiney' tenha recebido a missão de arquitetar as mortes. Se não tivesse implicado de alguma forma, não teria fugido", afirmou.
Conforme o investigador, os passos dos membros do PCC estão sendo refeitos no Ceará, para esclarecer se eles movimentavam algum negócio em comum, legal ou ilegal; se frequentavam as casas uns dos outros; se aparentemente eram amigos. Até o momento não há confirmação de como as vítimas foram convencidas a entrar na aeronave, que os levou até a reserva indígena de Aquiraz, onde foram mortos.
Histórico
Claudiney Souza assumiu a liderança nas ruas do PCC em Minas Gerais quando o antigo líder, Ângelo Gonçalves de Miranda Filho, o 'Pezão'; e o matador do grupo, Bruno Rodrigues de Souza, o 'Quem-Quem', foram presos, em São Paulo, no ano de 2011. A dupla integrava a lista dos 12 criminosos mais procurados de Minas Gerais.
Na semana seguinte, a Polícia chegou a Fábio Silvano Alves Azevedo, o 'Fabinho', que era tido como o homem de confiança de 'Cláudio Boy'.Desde aquele momento, há mais de seis anos, Claudiney Souza se tornou o alvo principal dos investigadores, mas deixou seu Estado de origem e encontrou refúgio no Ceará.

Fonte: DN

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