quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Detentos achados mortos e famílias não são avisadas



De janeiro a 12 de setembro de 2018, 35 internos foram vítimas de homicídios em unidades prisionais

A Sejus justificou que, em nenhum caso, a transferência do custodiado é informada à família, devido ao grande fluxo de movimentação. Segundo a Pasta, os laudos periciais apontando a causa das mortes devem sair em 30 dias ( Foto: Nah Jereissati )

Dois detentos foram encontrados mortos dentro do Complexo Penitenciário Itaitinga II, no último domingo (9). Os casos chocaram as famílias das vítimas, que disseram ao Diário do Nordeste não terem sido sequer notificadas pela Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) sobre as execuções. Somente de janeiro a 12 de setembro deste ano, 35 internos foram assassinados em unidades prisionais do Estado, conforme dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
 
O número de homicídios de internos contabilizados nos nove primeiros meses deste ano representa 75% a mais do que o registrado em igual período de 2017, quando 20 custodiados foram mortos, de acordo com a Pasta. O caso mais recente é o de José Hildo Siqueira Sá Neto, de 20 anos, encontrado morto, no último domingo (9), na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL II). O nome dele ainda não entrou nas estatísticas apresentadas pela SSPDS. 
José Mayron de Lima Mota, 29, tinha sido encontrado sem vida horas antes do mesmo dia, com sinais de enforcamento, na Unidade Prisional Professor José Sobreira Amorim, inaugurada recentemente no Complexo. Tanto José Mayron como José Hildo respondiam por roubo.
O advogado Janos Roven, que representa a família de José Hildo, avalia que a Sejus foi negligente ao transferir o custodiado para a CPPL II, o que teria causado sua morte. “Nas oitivas feitas pela Sejus, o José Hildo pediu para não ir para CPPL II, porque era dominada pela facção GDE (Guardiões do Estado), e ele não integrava nenhuma organização criminosa. Ele deixou claro que queria ir para a CPPL III ou para a V”, explica Roven.
ARTE
Ainda conforme o advogado, mesmo não pertencendo a nenhuma facção, Hildo poderia sofrer retaliação por conta do pai, que supostamente integra o Primeiro Comando da Capital (PCC), e está preso na CPPL III. “Vamos tomar as medidas cabíveis perante a Justiça. Mandar um custodiado para um local dominado por uma facção é sentenciá-lo à morte”, disse. 

A mãe de José Hildo, que preferiu não se identificar, afirmou que a Sejus não informou a transferência ou a morte do filho dela. “Só soube que ele estava morto porque fui no Centro de Triagem para saber o horário de visita. Lá, eles me informaram que meu filho tinha sido transferido para a CPPL II. Na hora me deu uma coisa ruim. Foi então que um funcionário me chamou em uma salinha e disse que ele estava no IML (antigo Instituto Médico Legal), sem justificar nada. E se eu não tivesse ido até lá, até hoje eu ia estar sem saber que meu filho morreu?”indaga.
Ainda conforme a mãe, a vítima do assassinato não era de facção e foi “enviado para a morte”. “Foi negligência. Eles sabem que quem manda nos presídios são os presos”, ressalta.
Um familiar de José Mayron, que também preferiu não se identificar, afirmou que a família também não foi informada pela Sejus do óbito. “Nós só soubemos quando o corpo dele já estava no IML, ligaram de lá para a gente”, relata.
Transferências 
Em nota, a Sejus justificou que, em nenhum caso, a transferência do custodiado é informada à família, devido ao grande fluxo de movimentação. Conforme a Pasta, o laudo pericial apontando as causas das mortes devem sair em 30 dias. Além disso, acrescentou que “a organização dos internos é feita com o objetivo primordial de preservar a integridade física dos mesmos. Para tanto, são considerados o perfil criminológico e o gran de periculosidade, entre outros fatores, além de ser realizada uma oitiva dos internos”. 
Fonte: DN

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